Saturday, June 09, 2007

TUDO ME ACONTECE

Costumo dizer que o Japão é uma terra onde tudo o que eu sonhei acontece. Tipo, sonhei, quer dizer, as coisas que eu imagino, aquelas que povoam a minha mente pervertida. Essa semana, me perguntaram se eu queria fazer um comercial de TV. No Brasil, só se fosse de bombom ou de dietas emagrecedoras. No Japão, não podia ser outro papel a não ser o de trabalhador. Ou melhor, desempregado, visto que é um comercial de uma loja de conveniência cujo produto principal é... empregos. Enfim, abastecerei vocês de mais informações desta minha estréia no mundo dos modelos.

Aliás, essa foi minha semana televisiva. Dei uma entrevista bacana para o programa Agenda+ da IPC TV, canal de brasileiros aqui no Japão. Foi bacaníssimo! Se eles colocarem na internet, eu linko aqui.

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Thursday, May 24, 2007

GROOVE IS COMPLETELY IN THE HEART

Esta foto mostra que não é preciso ser fashion para ser alguém. É preciso ser groovy.

Sabrina "Groovy" Shikasho, Roberto "Groovy" Maxwell e Ricardo "Groovy" Yamamoto.

They give us FEVER!

By Ricardo Yamamoto

Wednesday, May 23, 2007

COMO SE PERDE O SONO...

Decidi deitar cedo. Amanhã, quero dizer, hoje, tenho uma reunião importante. Decidi me privar das minhas conversas animadas com a Fátima, da exposição pública da minha figura na medina virtual, da minha primeira tradução japonês-português e de tantos outros prazer menores e infames que compõem a minha vida noturna. Também comi umas besteiras para não gastar muito dinheiro. Disse 'tchau' a todo mundo nos meus mundos virtuais e fui para a cama.

O tempo começa a não fazer diferença quando, em flashes, você percebe que sua mãe joga golf profissionalmente no Japão e se comunica com os jogadores em português. Você transita em um mundo em que tudo e nada faz sentido. Tudo faz sentido. Nada faz sentido. Tudo faz sentido. Nada faz sentido. Tudo faz sentido, tudo. É difícil rememorar tudo. Mas, eu estava dormindo. E era um desafio. O desafio era não pular da cama... de medo. Alguém me dizia que eu estava em algo que poderia ser o inferno. E era calor o que eu sentia. Era para eu temer. E eu temia. Aconteciam coisas horripilantes. Eu não me lembro quais, mas eu tinha medo. E, de repente, algo me dizia que era um pesadelo, que estava tudo armado para que eu temesse. Então, eu me levantava e havia gente no outro quarto. Eu falava com eles, estava assustado, eles ainda não tinham se deitado. Chegavam de uma festa, parece. Eu voltava a dormir, aquela gente, aquele quarto era um sonho.

Então, eles tentaram de novo. Eu não era religioso, não me assustava com o sobrenatural. Tentaram o natural. Levaram-me para o alto de alguma coisa. Era a minha cama, solta no ar. E, estava eu em queda livre. Queda livre? Queda livre é o pesadelo mais idiota. Isso é sonho. Posso flanar, posso fazer a queda ser eternamente livre e sentir o vento bater no meu corpo. Então, apelaram para o humano. Alguém tentava me bater, me diziam que me cortariam a cabeça. Meu sonho me dizia que não há dor após a morte. Puseram-me entre um grupo de garotos, todos eles eram maus, o sonho me dizia. Eles iam me violentar, me bater. Eles podiam voar e eu era um corpo, apenas. Mas, me acoplei em um deles. Eu estava suspenso no ar com ele e me apoiava nos seus pés. Nós estávamos sós e eu me movia lentamente. O prazer era tanto que me dava um ranço nos dentes e um som rápido, mecânico e repetitivo começou a tornar-se mais e mais alto. Acordei com o tempo se ajustando, através do tic-tac do relógio. O sonho havia desistido de mim. Talvez tenha pensado: "esse cara não crê em deus, então não podemos atormentá-lo".

"Acorda e vai escrever algo."

Monday, May 14, 2007

MENTIR A NACIONALIDADE?

Toda vez que eu conheço um japonês é a mesma dúvida: devo mentir a minha nacionalidade? Brasileiros não são bem-vistos em determinadas áreas do Japão, principalmente, naquelas de alta concentração de imigrantes. Há inúmeras razões para que isso ocorra. Acho que a maioria das pessoas sabem que brasileiros migrantes são empregados em trabalhos não-especializados em várias regiões industriais do Japão. Apenas isso (n)os coloca como parte de um degrau bem baixo na escala social do país. Mas, existem outras coisas envolvidas. Uma delas é o péssimo momento que o Brasil está vivendo, com o descontrole da violência e a corrupção generalizada. Mas, como isso afeta nossas vidas no Japão? Não pensem que a imprensa japonesa se importa com o que acontece no Brasil. Não creio. Recentemente, até que o país andou sendo bastante falado por aqui. Foi por causa do etanol, combustível que interessa aos nipônicos. No mais, exceto em épocas de Copa do Mundo, o Brasil é um zero à esquerda para os japoneses. Porém, o que vivemos no Brasil nos afeta diretamente por causa dos próprios brasileiros que aqui vivem. Muitos imigrantes trazem incorporados os maus hábitos, a cultura da corrupção, a falta de educação e a incapacidade de viver em comunidade que nós temos no Brasil. Some-se a isso o outro lado, a incapacidade de lidar com a diferença do povo japonês e a (falsa) homogeinização que impera por aqui e... bingo! Intolerância.

Para o japonês médio, ser brasileiro é ser exatamente tudo aquilo que ele assumiu como característica do Brasil, de bom e de ruim. E eu, honestamente, não me encaixo em nenhum desses padrões. Portanto, dizer que eu não sou brasileiro não soaria nada estranho para mim, à medida que ser brasileiro tem conotações nas quais eu não me encaixo. Por outro lado, nacionalidade é parte da sua personalidade segundo o pensamento de algumas pessoas. Eu, honestamente, não acredito nisso, embora não seja aloprado de não entender o quanto da minha personalidade foi forjada por eu ter nascido na República Federativa do Brasil, no Estado do Rio de Janeiro, na cidade do Rio de Janeiro e ter vivido 30 anos neste mesmo país e estado, pensando, sendo educado em língua portuguesa...

No entanto, o que dizer de uma pessoa que conclui sobre o caráter de alguém a partir da nacionalidade? Essa pessoa é o tipo que eu quero em meu convívio? Ela é capaz de estabelecer uma relação com o mundo interessante ao ponto de merecer estar no meu rol de amizades? Pensando tudo isso, que eu conclui que mentir a nacionalidade não é exatamente um bom negócio. Quem quiser me conhecer, tem que se arriscar a descobrir quem eu sou independente de rótulos.

Sunday, May 13, 2007

QUESTÕES QUE NÃO CABEM NO OUTRO BLOG

Pois é... Pensei que eu iria ficar um tempo sem aparecer aqui, mas há questões que não cabem no outro blog. São aquelas questões pessoais cujo alcance e interesse é bem mais pessoal. Estou lendo muito material para o meu mestrado. Talvez menos do que eu devia, sobre tudo os dificílimos textos e japonês que se me vêem sendo apresentados. Todavia, o que eu tenho lido tem sido determinante no modo como eu venho pensando meu objeto de estudo e, ainda, minha própria condição de permanentemente temporário.

Antes de mais nada, acho que vale a pena dizer para quem não sabe qual o meu objeto de pesquisa. Pretendo estudar a relação entre a educação e a formação da identidade cultural de crianças brasileiras nascidas no Japão ou que passaram a vida inteira neste país. É um tema árido, relativamente recente dentro das ciências sociais, mas que tem recebido grande atenção por parte dos estudiosos. Claro que essa discussão chega pouco à sociedade. Apenas os problemas são visíveis.

Cheguei a este objeto através do filme Lemon de Luma Yuri Matsubara, uma jovem que está hoje no terceiro ano do Ensino Médio. Ela produziu esta obra quando tinha 14 anos. No filme, resumidamente, a menina sai perguntando a pessoas do seu círculo social qual é, na opinião deles, a nacionalidade dela. Todos são unânimes em dizer: brasileira. Isso porque Luma nasceu no Brasil, de pais brasileiros. Portanto, a nacionalidade dela é brasileira. O conflito se encontra no fato de Luma estar vivendo no Japão desde que era muito pequena. Ela foi educada numa escola japonesa e, recentemente, está se dedicando ao estudo da língua portuguesa uma vez que sua língua materna é o japonês. (Note-se que a expressão língua materna, neste caso, adquire uma tonalidade que começa a gerar estranhamento. O que é a língua materna? Seria melhor dizer "língua afetiva"? "Língua cotidiana" não seria aplicável visto que, em meu caso, por exemplo, o português já não é mais a minha língua cotidiana, mas não deixou de ser a língua em que eu expresso meus sentimentos...) Luma, por tudo que foi dito antes da divagação entre-parênteses, se auto-identifica como "japonesa". Porém, como diz Takeyuki Tsuda em seu "Strangers In The Homeland", "identidade étnica não é apenas desenvolvida internamente através da auto-consciência das diferenças raciais e culturais de um indivíduo mas, também, externamente imposta pela sociedade que exerce dominação sobre um grupo étnico". Portanto, a auto-percepção de Luma sofre um forte abalo à medida em que a sociedade dominante — japonesa — a enxerga como brasileira e mesmo o grupo étnico minoritário — outra criação da mesma sociedade dominante — reclama sua inclusão nele.

No entanto, este post não era para ser sobre o meu objeto de estudo e, sim, sobre uma digressão provocada pela leitura do livro citado no parágrafo anterior. Em poucas palavras, "Strangers In The Homeland" é um trabalho antropológico realizado por um nikkeijin (descendente de japoneses) nascido nos Estados Unidos (bem, a própria identidade étnica do autor é objeto dentro do estudo). Durante um período, ele esteve em campo no Brasil e no Japão para estudar os nikkeijin brasileiros migrantes.

O capítulo que leio agora trata da questão de como os nikkeis brasileiros, ao migrar para o Japão, reconstróem sua identidade étnica. Para ser bem suscinto, segundo o livro, os nikkeis brasileiros, apesar de plenamente absorvidos pela sociedade local, constituem uma minoria étnica. Isso se dá basicamente por dois fatores: o primeiro seria de ordem "racial" (entre aspas porque não sei se esse conceito é ainda aplicável), ou seja, pelo fato de os nikkeis serem fenotipicamente diferentes do que foi consagrados como "tipicamente brasileiro". (Mais um parenteses apenas para lembrar que o "tipicamente brasileiro" se refere a discutível "teoria das três raças fundadoras" que entende o índio, o negro e o branco e suas mestiçagens como sendo a composição fenotípica deste povo.) Ou seja, a sociedade brasileira e a comunidade nikkei concordam que, o "japonês", mesmo hoje inteiramente integrado, é, de alguma maneira, diferente da composição geral da população. O outro fator seria de ordem cultural visto que a comunidade migrante japonesa no Brasil firmou-se em núcleos que adquiram coesão suficiente para que houvesse a manutenção de certos costumes e outros elementos que fazem o background cultural do nikkei relativamente diferente do grupo brasileiro considerado majoritário. O autor, a partir de vários depoimentos, pôde concluir que os descendentes de japoneses sentem-se (e são vistos como), de certo modo, um pouco japoneses no Brasil e que, no momento em que migraram para o Japão, muitos tinham a perspectiva que seriam assim percebidos na sociedade japonesa.

(segue em outro momento)

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Wednesday, May 09, 2007

KOBE


KOBE
Originally uploaded by Roberto Maxwell.
Who deserves the best parts of you?

Monday, April 30, 2007

PERMANENTLY TEMPORARY

Então, amigos, estou dando um tempo neste blog. Mas, não pensem que ele para por aqui. Estou em endereço novo e com um blog mais voltado para a produção de notícias. O endereço é fácil:


robertomaxwell.com


Aguardo vocês por lá.

Wednesday, April 25, 2007

A VIDA É UMA MONTANHA-RUSSA

Ainda ontem eu estava todo alegre contando para vocês que tinha entrado pro mestrado e que tinha conseguido um trabalho na Record. Depois de um mês fazendo as duas coisas ao mesmo tempo foi conclusivo: não dá para conciliar e eu acabei saindo. Foram três meses super produtivos, trabalhando com uma pessoa que se tornou amiga e estando em Tóquio que é um lugar onde as coisas realmente acontecem. Mas, desde que começaram as aulas minha vida tornou-se um semi-inferno. Uma rotina estafante que por muito tempo eu não vivia. Isso porque, além da TV e das aulas (e todos encargos que elas trazem), ainda tenho a Revista Alternativa e meu professor me convidou para ser seu assistente. Para se ter uma idéia, na última sexta-feira eu quase me debulhei em lágrimas para dar conta de tudo que tinha que fazer como aluno, produtor, assistente de professor, jornalista, estrangeiro, amigo, homem... Muita cobrança, sem dúvida.

As aulas estão indo bem... e mal. Acho que dá para adivinhar o porquê. Estou há um ano e meio no Japão e cada vez mais consciente de que meu conhecimento de língua japonesa é mínimo. Mas, a exigência é máxima. As aulas são todas em japonês e eu nem posso dizer os professores não estão nem aí. Eu sinto no olhar deles o desespero contido quando eles olham nos meus olhos de quem não-está-entendendo-nada. Eles têm sido respeitosos comigo. O Professor Takenoshita, sempre preocupado com minha manutenção financeira, ficou preocupado quando eu lhe disse que deixaria a TV. A Professora Funabashi perguntou se eu não queria trocar o texto do meu seminário por algo em inglês. O Professor Minamiyama atuou como tradutor no meu seminário. Enfim, quem me conhece sabe como eu estou me sentindo: um peso. Eu não sei se isso é orgulho, mas eu detesto estar fora das expectativas. Na TV estava sentindo o mesmo. A cada entrevista em que a minha chefe olhava para mim e via que eu não conseguia entender o que falava o entrevistado, minha vontade era sumir.

Ontem fiz um seminário em japonês. Foi péssimo. Eu consegui ler o texto com a ajuda de um programa OCR que eu comprei. O programa escanea o texto e identifica os caracteres. Só o tempo que eu perdi identificando os caracteres incorretos... De qualquer forma, com o auxílio de uma extensão do Mozilla eu li o texto completo. (Só para explicar, o japonês é escrito com três tipos de caracteres: o ideográfico kanji e os “fonográficos” hiragana e katakana. A extensão Toogle Rikaichan identifica as palavras e dá a tradução em inglês.) Posso considerar que, mesmo com pouco conhecimento de gramática, entendi bem o texto. Porém, na hora de explicar em japonês, meu vocabulário é limitado. Criar frases para uma apresentação acadêmica, usando o linguajar formal e as expressões técnicas é tarefa impossível para mim no momento. O que eu fiz foi escrever as frases com base no que estava escrito no texto. O resultado foi uma colcha de retalhos e eu a “lendo” como se fosse uma criança de seis anos. Constrangedor. A única coisa boa dessa história toda foi receber a solidariedade dos meus colegas e, em certa medida, do professor. Embora, honestamente, depois de tudo o que eu tenho lido sobre o comportamento do japonês, fico me perguntando até que ponto isso é “pena”. (Aliás, até isso eu tenho vergonha de dizer porque, no lugar deles, eu ficaria ofendido se alguém achasse o mesmo.)

Honestamente, não vou dizer a vocês que isso tudo está sendo ruim. Não está. Eu estou aprendendo. Talvez não na velocidade que eu gostaria. Talvez não exatamente o que eu gostaria. Mas, estou aprendendo. Minha vida mudou muito desde que eu cheguei no Japão. Mais ainda nesses últimos três meses. Porém, me sinto sem confiança. Aliás, isso é interessante porque tinha pensado em fazer uma dieta e, de repente, nessas últimas duas semanas, me senti tão devastado que não consegui prosseguir. Queria saber porque eu não consigo fazer esforço para perder peso. Parece que eu quero compensar todo o cansaço que eu tenho vivido na comida. Aliás, eu ando pensando que tem sido o meu único prazer ultimamente. Alguém aí me sugere algo diferente? Não pode ser sexo porque ultimamente estou sem sex appeal nenhum. Parece que eu voltei a ser invisível...

Tsugi wa Shinagawa, Shinagawa desu.

Bem, trem-bala tem suas desvantagens. Eu podia escrever muito mais. Só que, pimba, estou em Tokyo.

Mamonaku Shinagawa, Shinagawa ni tochaku wo itashimasu.

Acho que vou ter novidades boas em breve. A vida é uma montanha-russa. Quer dizer, no meu caso, uma montanha-japonesa. Ok, trocadilho infame. Beijos.

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Friday, April 20, 2007

SEM PREOCUPACOES

... sem acentos, sem revisao... Estou morto de cansado! Parece que foi uma semana de pura violencia fisica. Nunca me senti tao esgotado na minha vida. Bem, eu vou ate parar por aqui porque me deu preguica de continuar...

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Monday, April 09, 2007

EU QUERIA FALAR DE MESTRADO...

... mas isso isso é muito mais legal... Fiz essa entrevista com a Emília do Sítio do Pica-pau Amarelo depois de um pouco de pó-do-pirlimpimpim na idéia... Uma homenagem a eterna Emília-menina...

EMÍLIA!!!! A sensualidade completa da boneca gente!

Emília causou espanto na nova versão do Sítio do Pica-pau Amarelo. Como, depois de tantos anos, poderia reaparecer mais bonita, mais jovem e mais chata. 'É a maturidade', diz a boneca, 'e a convivência também. Tenho aprendido muito com a Nicete'. A Nicete em questão, de quem fala com intimidade de veterana, é a atriz que tenta se passar por dona Benta. Depois que a verdadeira vovó do sítio andou por aí espalhando o boato de que era a Zilka Salaberry, sua identidade ficou em xeque. O mesmo aconteceu com Tia Nastácia, a qual todos davam como morta, mas que reapareceu, nesta mesma temporada do Sítio, de forma ainda pouco esclarecida. Mas nada disso abala Emília, a boneca mais pentelha de todos os tempos, que abre o zíper de sua intimidade em ensaio na revista PLAY DOLL.

CONFIRA A ENTREVISTA QUE DESNUDA A ´BONECA-GENTE´

UÓ-MAGAZINE - Como está sendo pra você esta volta do Sítio do Pica-pau Amarelo?
EMÍLIA NUA - Muito gratificante. Havia uma série de boatos, durante estes anos que a série esteve fora do ar, que precisavam ser desmitificados.

U - Que boatos eram esses?
E - Boatos infundados de que estávamos falidas ou de que havia tido uma invasão de sem-terras no sítio e que o governo iria usá-lo para fazer reforma agrária. Na verdade, recebemos os senhores sem-terra para, com a nossa influência, chamar a atenção para o problema da reforma agrária no país.

U - Mas soube-se que houve confusão no sítio naquele dia...
E - Nada de mais. Os rapazes apenas se excederam um pouco na comemoração.

U - As fotos dizem o contrário...
E - A imprensa sempre quis prejudicar a nossa volta e denegrir a nossa imagem, sem se lembrar que negros na obra de Monteiro Lobato somente o Saci e a Tia Nastácia.

U - Por que acabou a primeira versão do Sítio?
E - Não gostaria de comentar este lamentável episódio. O que eu posso dizer é que o público se cansou de loiras...

U - Mas diz-se que tem a ver com o fato de você, naquela época, ter posado nua?
E - Outro boato. Na verdade, este foi o motivo pelo qual resolvi aceitar o convite de vocês. Nunca posei nua! Aquela tal de Remy de Oliveira era uma agente do cinema americano infiltrada no Brasil e seu objetivo era substituir o Sítio por enlatados norte-americanos. Isso estava claro na época, vê o nome dessa mulher! Alguma brasileira podia ter um nome assim? Se fosse Lucicleide ou Francisvalda tudo bem... E eles conseguiram. Depois da gente, entrou aquela Super Vicky que era uma cópia deslavada de mim. Mas demos a volta por cima e mostramos a importância do Sítio na educação das nossas crianças. Graças a Deus, quer dizer, a nós e a mim mais especificamente, elas não precisam mais assistir a violências como Angélica e podem se dividir entre programas educativos como nós e o Dragon Ball Z.

U - O que você tem feito pra manter essa beleza de corpinho?
E - Bem, ter um corpitcho de boneca não é fácil, né? A sorte é que se você precisar entrar na tesoura, não demora pra cicatrizar. Agora se não tiver uma boa costureira, a bainha sempre aparece. Estes dias mesmo me acusaram de ter feito vários cortes e eu mostro sempre as minhas bainhas: são todas originais...

U - Mas o peito você fez, né?
E - Não nego. Coloquei 150g de retalho em cada um deles... (Apertando os seios) Não ficou legal?

U - Ficou ótimo... (Risos) Você não tem sido vista em festas. Não estão pintando convites?
E - Sempre pintam. Mas da úlima vez fui agarrada pelo Kleber Bambam num episódio lamentável. Ele me disse que eu parecia com a Maria Eugênia. Me senti péssima!

U - Diz-se que na primeira versão do Sítio houve problemas com drogas...
E - Sei que é um tabu, mas houve sim. Éramos jovens e nos excedemos um pouco...

U - Mas até hoje vocês continuam viajando... Esse negócio de reino das águas claras...
E - Confesso que a gente anda ainda tirando uma onda. Mas é só pó-do-pirlimpimpim.

U - Você e a Cuca são tidas como as ninfomaníacas do Sítio...
E - A gente curte um pouco... (Risos)

U - Mas quem é o bam-bam-bam no sítio (Risos)?
E - Bem, não fica legal falar... (Mais risos)

U - Ah fala... (Muito mais risos)
E - Bem (gargalhadas), o Pedrinho pelo próprio nome já dá uma pista... (Faz com os dedos um sinal). O Visconde quando era pequenino a gente usava inteiro, depois de grande ainda não sei como ficou... O negócio é o Saci... Ou você acha que ele fica o tempo todo pulando naquela perna... Ele precisa de um descanso... (Gargalhadas estridentes).